Testemunho para a Mestra
- Ana Maria

- há 3 horas
- 2 min de leitura

Me chamo Ana Maria Pereira. Conheci Niara do Sol no ano de 2012, quando cheguei ao Rio de Janeiro em busca de oportunidades de trabalho e de ações coletivas comunitárias.
Sou formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa e, através do professor Willer, conheci a ocupação da Aldeia Maracanã. Na época, tudo foi muito importante para mim: o contato com a minha ancestralidade indígena, com tantas etnias e, sobretudo, com essa senhora enigmática e cheia de sabedoria.

Desenvolvemos, durante um tempo, trabalhos com escolas e pude conhecer sua casa, ser recebida com o abraço nativo e com a comida. Despertei, então, uma profunda curiosidade pelos aprendizados ancestrais. Um dia, pedi a ela que, assim que possível, me iniciasse. Ela organizou um curso no qual pude aprender Reiki I e II, além dos símbolos nativos — um verdadeiro divisor de águas na minha história.
Eu já trabalhava com terapias naturais, como homeopatia, florais e radiestesia, mas nunca havia sentido, de forma tão profunda, a energia ancestral. Naquele momento, aprendi muitas técnicas e, juntas, desenvolvemos um trabalho chamado Agricultura é Cultura— um projeto cultural que levou a cultura afro-indígena para as escolas ao redor da Praça da Harmonia.
Anos depois, em um processo de separação, fui acolhida por essa mulher, que me levou para cuidar de um sítio. Ali, a cada semana, fui aprendendo mais e mais sobre os cuidados nativos. Ela me apresentou o cipó mil homens, massagens com argila, as “frutas na cabeça”, o Tarô de Marselha e também práticas como a meditação do fogo, às quartas-feiras e o despertar do sol para ativar a intuição. Juntas, produzimos uma cartilha sobre saberes ancestrais.

Em 2016, já na Serra do Rio de Janeiro, convidei Niara e Dauá para o projeto Agricultura, e ela compartilhou, com grande amorosidade, ensinamentos sobre massagem e energia para diversas pessoas. Sempre com muita assertividade, nos ensina que o alimento é cura, que a mão é cura e que o toque é capaz de transformar — despertando o interesse das crianças e de todos aqueles que desejam se tratar seguindo o caminho terapêutico.
Hoje, eu me dedico à articulação de políticas públicas, pesquisa da Fito medicamentos e trabalho comunitário para produção de Pomadas medicinais e extração de plantas medicinais para a produção de óleos essenciais e desenvolvo a Cheiro de Deus, uma empresa familiar. Já temos nossos óleos essenciais, blends, roll-ons e sprays de ambiente circulando em países da Europa, da América do Norte, da América Latina e também no Brasil.

E até hoje sigo aprendendo com Niara sobre a gratidão e sobre como cuidar do planeta, começando por nós mesmos. Sigo ao lado dela, pedindo para ser iniciada em outros saberes e, a cada dia, aprendo mais a ser eu mesma e a assumir minha ancestralidade Puri com alegria e prosperidade.

Bom Jardim, 23 de Março de 2026



Comentários