top of page

Nós, as Dez

  • Foto do escritor: Ana Maria
    Ana Maria
  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

Relato de uma das irmãs do coletivo Lélia González e os enfrentamentos que vivemos hoje:


Nós, as Dez

Somos dez mulheres negras

não porque contamos,

mas porque nos reconhecemos no olhar

antes mesmo do nome.

Chegamos onde disseram

que não era lugar nosso.

Sentamos à mesa

que nunca foi posta para nós.

E o ar, denso,

aprendeu a nos atravessar.

Houve dias em que o silêncio

era uma arma apontada.

Microagressões vestidas de protocolo,

violências com crachá,

sorrisos que ferem mais

quando fingem neutralidade.

Mas seguimos.

Não porque não sentimos medo

sentimos.

Mas porque a fé não é ausência de medo,

é caminhar com ele

sem pedir desculpas.

Cada uma carrega um altar invisível:

mães, avós, ancestrais,

nomes que não entraram na sala

mas sustentaram o chão.

Ocupar esses espaços

exige mais que currículo.

Exige espírito.

Exige saber que a solidão é mentira

contada para nos enfraquecer.

Não andamos sós.

Nunca andamos.

Quando uma fala,

dez respiram.

Quando uma cansa,

outra segura.

Quando uma vacila,

todas lembram:

chegar aqui já foi vitória.

Somos dez mulheres negras

alcançando objetivos

que tentaram nos negar.

E cada passo nosso

não é individual

é coletivo, é ancestral, é sagrado.

Seguimos.

Com fé.

Com memória.

Com a certeza profunda

de que permanecer

também é um ato de amor.

Claudia Oliveira

Cáceres MT 06/02/2026



 
 
 

Comentários


bottom of page