Fritando na Madrugada
- Ana Maria

- 19 de jan.
- 1 min de leitura

Como tratar de quem sofre de saúde mental
apenas por acompanhar alguém que sofre esses padecimentos.
Como apoiar sem entender, aceitar e não se machucar.
Como não se machucar: são violências disfarçadas de puro amor, não é abusivo mas se converte em tóxico ao associar memórias trabalhadas em mim que ainda são presentes na narrativa do outro.
Como superar estando ao lado e trazer limite sem culpa.
Não tenho a oferecer.
Não quero oferecer
Não aceito ter que doar,
Não permito que a ordem mude de lugar.
Mas o solo fica curto …
O chão profundo carrega uma fissura na base que mesmo afetando a estrutura não há remendo que o conserte.
A estrutura vai sendo bioconstruída
e outras bases vão se forjando
mas quando lembro da rachadura a dor vem,
a tristeza invade o laço eterno traz essa raiz.
Sou grata à vida, sei que ela me reservou, cuidou e promoveu encontros
que suprimem o que a rachadura estrutural marcou.
Sanidade mental não é mole não.
Aprender a lidar com a frustração 40 anos após o trauma
faz de mim uma investigadora de evidências.
Pensando nos meus filhos
me pego a questionar quando eu os perdi.
A dor de não estar sempre plena e radiante
faz com que eu me afaste mais dessa dinamica rachada
do que foi feito da vida!



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