Dolores


Me percebo necessitando da dor para criare, ao mesmo tempo, que não gosto de sentir dor.
Sei que com ela me comunico.
Ela me traz clareza de que
tudo bem não estar bem.
Tudo bem confiar e se frustrar,
afinal as manifestações do outro
apenas ao outro compete mudar.
Aqui, nesse instante, já ressignifico a dor,
do peito, garganta e coluna, chega ao quadril.
Limão, própolis e cúrcuma para tirar a inflamação.
Mas, ao mesmo tempo, percebo que o que há de inflame em mim
vem do meu desejo não saciado,
da minha ilusão que é mais fácil para o outro mudar.
Vou me distanciando para manter uma saúde mental
vou me nutrindo de pensamentos,
utilizando o silêncio para me fazer aceitar aquilo que não posso mudar.
E vou enxergando a oportunidade de olhar
verdadeiramente e profundamente para mim.
A Lua revela, e não espera,
já não devo esperar,
aqui também mais um não dito e recebido.
E, dessa vez, sem dor,
anestesiada.



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