Pomada milagrosa 12 de setembro

Práticas de Bem Viver

A ação comunitária em relação com a natureza constitui um fazer feminino, comunitário e circular, que atravessa gerações e se apresenta como uma prática restauradora, curativa e, por que não dizer, promotora de felicidade.

Envolver a comunidade é como plantar uma semente: é preciso adubar com boas palavras, esperança, ações concretas e valorização. É preciso regar com uma gargalhada, com um choro sincero, com a cumplicidade de quem não busca a perfeição, mas a relação. E ouso dizer que a relação é, em si, uma forma de perfeição.

Confiar naquilo que somos e naquilo que trazemos, reconhecer a força do rezo coletivo e compreender que estamos sempre aprendendo. As ações acontecem primeiro no território íntimo, nos quintais produtivos, na preparação dos insumos, das bases e das embalagens, até chegar à colheita nos recantos sagrados, onde se esconde o tesouro da Terra.

Ali estão as plantas-mestras, que nos anunciam as estações. Neste momento, a chuva anuncia a chegada da primavera e, com ela, também florescemos: em harmonia, alegria e amor.

O Laboratório Comunitário Cheiro de Deus recebe, há alguns anos, o fazer coletivo da Pomada Milagrosa. Temos como proposta realizar duas edições ao longo do ano, porém temos percebido a grande necessidade das pessoas de buscar preparações artesanais que possam acolher, cuidar e apoiar diante das dores e necessidades de saúde, sempre com consciência e responsabilidade em seu uso.

Essas plantas carregam história, saber, memória e princípios ativos. Carregam também a memória daqueles que sabem: o caboclo, o mateiro, a mateira, a benzedeira, a rezadeira, a agrônoma, a curandeira. E, por que não dizer, também as crianças, quando se unem para aprender e promover o cuidado com a saúde e com a natureza.

Nesta edição, o bálsamo do Cheiro de Deus é composto por 55 plantas medicinais provenientes dos quintais de Cleal, Judite, Neia, Tonho e Sirlei. Acompanho esse processo à distância, vendo a semente brotar, criar raízes e fortalecer seu caule.
Esse projeto comunitário nasce também do meu desejo de retornar à natureza. É nesse movimento que me sinto bem, feliz e conectada a um propósito de ação coletiva pelo Bem Viver.

Ouso dizer que as ações comunitárias empoderam mulheres e recolocam as plantas no centro do cuidado, não como objetos, mas como seres que carregam história, território, conhecimento e responsabilidade. Utilizá-las exige consciência daquilo que fazemos e respeito aos saberes que atravessam gerações.
Nossa pomada traz, ainda, o óleo essencial produzido a partir do eucalipto de Neia, carregando consigo a história da Folia do Amor e da Magia, sem perder as bases tradicionais desse saber.

Cuidar da terra é também cuidar de quem cuida. Cultivar plantas é cultivar memória. E fazer em comunidade é semear o Bem Viver.



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