Ana da quebrada
- Ana Maria

- 18 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Véi
C v o tanto que me preparei e acreditei e rezei e magiei
Mas contra o racismo sozinha jamais poderei
Parece que é uma segunda pele que vem vestido daqueles que, por algum motivo geracional, ocupam os espaços de poder
E até aqueles que pensava ser como eu
Se performam no sistema.
Que treta!

Mas o sistema sabe quem nóis são
E nuuuu… c não vai acreditar sô
Fico cheiona de medo
Eu a fodona que saiu de casa já vinte anos
Na luta de ser a primeira a estudar curso superior sem pagar e sem ser rica…
Vai minha fiá, vai vencer na vida!
Já comeu menos do que o desejado
Pra não dizer que passou fome
E morou na casa de tantas pessoas de favor
Até hoje me julgam uma boa cuidadora de lares alheios
Em troca de alojamento

Tudo bem sou do rap e mandingueira
Faço rima e não poema
Sei frances para saber o que é Naif
Já chega fi
O bagulho é Loko
E como diz a poesia
Eu só quero é ser feliz
Mas a história não me deixa
Não que eu viva de queixa
Afinal sou otimista
Pois apesar dos pesares
Ainda acreditar nos racista
Que irionia
Como se de um dia pra outro
O tal letramento racial
Os fizessem ver
Que sim é desigual
Mano c não tem noção
Tá ligado na nossa situação
Terreiro sagrado agora é do diabo
E a gira ficou lá com a universal
Vê se não é desigual
Apropriar do outro e tirar a médica por que ela
É branca demais para ser negra..que doideira meu
CES não tem noção

Exigimos reparação
Tá zuado o bagulho
E os donos da terra
Nu fi, que absurdo
Aí que a Fita lombrou
Os donos da terra nem tem esse caô
Ninguém fala deles
Só manja que tão isolados
E eu faço o que com meus olhos puxados?
Finjo que não vê?
O racismo dói em mim ou em você?
Sai fora sô
Chega de kaó
Agora c entende minha letra?
Não é Exu nas corredeiras
É oxum lá na pedreira
Que faz o cincel cantar..
Ana da quebrada.
Acho que noix não tá ligado no bagulho
C é Loko fi…




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